BBB: uma resposta pra Boni.



 Recentemente José Bonifácio de Oliveira, o ex-todo-poderoso da Rede Globo também conhecido como Boni, deu uma entrevista na qual, entre muitas pérolas (daquelas que só alguém com tanto tempo de meandros da telecomunicação poderia ter) largou um verdadeiro "peido alemão" pra quem gosta de Big Brother.  Disse, com amor não tanto paternal mas de quem emprestou o nome ao filho, que o Big Brother Brasil seria o melhor Big Brother do mundo pois o seu Boninho havia o feito tal.  Não entrarei nos méritos de poder hereditário nas Organizações Globo, pois essas são empresas privadas e fazem o que bem querem com seu staff em termos de criação e tais.  O que me incomoda é uma declaração tão ERRADA ganhar graus de verdade absoluta apenas por Boni tê-la proferido.  O Big Brother brasileiro, tomado por Júnior de maneira tão mimada e absolutista, não chega perto dos programas de outros países.  É óbvio que falamos aqui de qualidade televisíaca, narrativa, imagem, escolha e honestidade e não de audiência, pois é sabido e estudado que há uma correlação entre popularização/popularesquização e sensacionalismo na TV mundial.

O Loft Story francês é jogado entre intelectuais e universitários, e tem como tarefas debates e produções de vídeos e textos.  O Big Brother UK, também tornado mais popularesco com o passar dos anos, continua com sua espinha dorsal sendo os experimentos sociológicos e psicológicos por trás do jogo.  O americano, que não utiliza a audiência para votar em quem fica ou quem sai, é muito mais entretenimento do que reality show per se.  Também, como a maior parte do entretenimento estadunidadense, prefere mostrar a narrativa ao invés do desenvolvimento pessoal dos participantes.  O indiano é mais focado em sua própria identidade como país, já que por regra cada participante precisa vir de uma região diferente, e eles focam a maior parte das tarefas em elementos culturais a todos os indianos.  O Big Brother Africa procura trazer a união africana, com participantes de vários países sendo colocados como uma grande nação (leis, dinheiro próprio, etc.)  Na maior parte destes mencionados (e nos escandinavos e europeus não-latinos) a beleza é o último conceito analisado.

Vemos que temos quase tudo ao contrário no espetáculo BBB. Temos o mesmo molde básico todo ano (as casas quase idênticas todo ano), os mesmos tipos ( o negão, as periguetchens, as bibas, a doidinha, o esquisito, a negona...), os mesmos tropos (redençãO, combate às estereotipias, vitória do pobrinho massacrado, sexy mas não sexo, etc.).  E temos a casa mais POROSA do mundo inteiro, onde informação entra e sai.  Não há isolamento na casa de Boninho, pois há muito deixou de ser casa para tornar-se palco.  Por isso, Boni, orgulhe-se de seu trabalho como um todo, menos da sua decisão de deixar um dos seus trabalhos na mão de outro, que só deu trabalho.

(by pedro tapajós)

crédito da foto : abertura do big brother uk 8

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