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Quando a Cida invade, ela invade sorrateiramente...

Somehow, "sorrateira" e Cida Moreira não parecem combinar. Mas, quando Cida INVADE, Cida INVADE!


São onze minutos de ouro, mas NADA BATE a INVASÃO de Cida no estúdio.  Imagina, você lá, de boa, curtindo seu trabalhinho, e .... CIDA INVADE .....

Uma reflexão a respeito do Big Brother e do Big Brother Celebrity

Big Brother e Big Brother Celebrity: Cristalizar a Formiga; Vagabundar o Cristal (por Pedro Tapajós)

latoyah jackson, mini-me, coolio, tina malone... gente como a gente?

O sistema midiático, de hiper-informação e mega-entretenimento, pode ser visto como uma máquina (no sentido Deleuziano).  Ou seja, como bem aponta o mestre-filósofo temos “fluxos que são cortados”.  Tudo que podemos observar  é capaz de ser visto com o exemplo desse pensamento: desde a novela, estória gigântor, que é cortada em pequenos pedaços chamados capítulos, posteriormente cortados em blocos, que são preenchidos por blocos de vídeo e som chamados anúncios.  Esses anúncios, também cada um em seu bloco-momento, fazem outra máquina funcionar: o fluxo monetário, com suas fluidezes e cortes.  É nesse  meio-ambiente rizomático, onde cada máquina é parte ou engrenagem de outra ainda mais complexa, que indivíduos são reificados (=transformados em objetos, coisificados) para nosso deleite e para o deleite das supermáquinas (empresas, meios de comunicação, detentores de discursos, etc.)

O Big Brother Brasil é uma das transições de fluxo entre o individuo-formiga, nós, os comuns do dia-a-dia e o indivíduo-cristalizado, aquele que deseja estar congelado em frames, ou  em vídeos aprisionado.  Há uma ilusão do capital de que a fama (ou infâmia) gera máquinas de fluxo monetário para aqueles que conseguem se projetar no meio ambiente da mídia e da hiper-comunicação.  A fama, construída cristalizada, é um chamariz para os que não a tem e a desejam.  A fama abre possibilidades de fluxos de caixa e de presenças-vip.  Um rio caudaloso se forma, mas rapidamente se vai, exceto para poucos como Sabrina Sato e Grazi Massafera, que pulam do fluxo z-lebridades para o fluxo  c-lebridades.

Porém há outro fluxo, no caminho oposto da correnteza.  Os Big Brothers Celebrity/VIP/Casa dos Artistas.  Nesse fluxo, a televisão e a onipresença do dispositivo câmera constroem simulações de realidade para descristalizar as imagens associadas a esses famosos fragmentos que freqüentam nossas casas e rádios.  Aqui, se tenta “humanizar “a presença de alguém que sabemos ser humano, mas que nunca passou de um fragmento de duração congelado, para nosso consumo.  É essa a razão pela qual os Celebrity Editions dos Big Brothers existem. Nós, desejantes formigas, precisamos puxar nossos cristais para nós, aquecendo-os.  Há também certa Schadenfreude: os famosos, os cristais perfeitos são tão vagabundos (no sentido de vagar... física, ética e praticamente) quanto nós.  E como deuses do Olimpo, são tão humanos como nós.

BBB: uma resposta pra Boni.



 Recentemente José Bonifácio de Oliveira, o ex-todo-poderoso da Rede Globo também conhecido como Boni, deu uma entrevista na qual, entre muitas pérolas (daquelas que só alguém com tanto tempo de meandros da telecomunicação poderia ter) largou um verdadeiro "peido alemão" pra quem gosta de Big Brother.  Disse, com amor não tanto paternal mas de quem emprestou o nome ao filho, que o Big Brother Brasil seria o melhor Big Brother do mundo pois o seu Boninho havia o feito tal.  Não entrarei nos méritos de poder hereditário nas Organizações Globo, pois essas são empresas privadas e fazem o que bem querem com seu staff em termos de criação e tais.  O que me incomoda é uma declaração tão ERRADA ganhar graus de verdade absoluta apenas por Boni tê-la proferido.  O Big Brother brasileiro, tomado por Júnior de maneira tão mimada e absolutista, não chega perto dos programas de outros países.  É óbvio que falamos aqui de qualidade televisíaca, narrativa, imagem, escolha e honestidade e não de audiência, pois é sabido e estudado que há uma correlação entre popularização/popularesquização e sensacionalismo na TV mundial.

O Loft Story francês é jogado entre intelectuais e universitários, e tem como tarefas debates e produções de vídeos e textos.  O Big Brother UK, também tornado mais popularesco com o passar dos anos, continua com sua espinha dorsal sendo os experimentos sociológicos e psicológicos por trás do jogo.  O americano, que não utiliza a audiência para votar em quem fica ou quem sai, é muito mais entretenimento do que reality show per se.  Também, como a maior parte do entretenimento estadunidadense, prefere mostrar a narrativa ao invés do desenvolvimento pessoal dos participantes.  O indiano é mais focado em sua própria identidade como país, já que por regra cada participante precisa vir de uma região diferente, e eles focam a maior parte das tarefas em elementos culturais a todos os indianos.  O Big Brother Africa procura trazer a união africana, com participantes de vários países sendo colocados como uma grande nação (leis, dinheiro próprio, etc.)  Na maior parte destes mencionados (e nos escandinavos e europeus não-latinos) a beleza é o último conceito analisado.

Vemos que temos quase tudo ao contrário no espetáculo BBB. Temos o mesmo molde básico todo ano (as casas quase idênticas todo ano), os mesmos tipos ( o negão, as periguetchens, as bibas, a doidinha, o esquisito, a negona...), os mesmos tropos (redençãO, combate às estereotipias, vitória do pobrinho massacrado, sexy mas não sexo, etc.).  E temos a casa mais POROSA do mundo inteiro, onde informação entra e sai.  Não há isolamento na casa de Boninho, pois há muito deixou de ser casa para tornar-se palco.  Por isso, Boni, orgulhe-se de seu trabalho como um todo, menos da sua decisão de deixar um dos seus trabalhos na mão de outro, que só deu trabalho.

(by pedro tapajós)

crédito da foto : abertura do big brother uk 8

Big Brother: a importância do tabuleiro (parte 2)

O Big Brother é essencialmente um jogo háptico, isto é, um jogo onde o posicionamento e a espacialização são dois grandes eixos significativos.  O jogador está em um espaço, percebendo-se sendo percebido por todos os lados, e joga, imaginando como ele ou ela será cartografado no imaginário pela edição e pelo clamor popular.   O estar na casa agrega o valor cotidiano (o viver cada dia) a um viver midiático -- "como estou me mostrando e como estou sendo percebido?"

Um elemento extremamente significativo é a montagem da casa enquanto cenário-máquina.  Que fluxos estaria essa casa-máquina a pré-significar e o que isso representa na montagem do jogo?  Iniciemos com a mais familiar a nós.  A casa brasileira é uma casa que em geral se mantem fixa.  É um simulacro de casa, pois tem uma sala, uma cozinha, quartos, banheiros, jardim, e piscina. Recentemente montou-se uma segunda casa, que no máximo da ousadia ficou encrustada dentro da primeira.  Com exceção de quartos temáticos, temos uma máquina de morar, que tenta enganar o jogador com uma falsa promessa de naturalidade.  Esse cenário convida o jogador a se sentir em casa e "ser quem ele é".   Seria mais eficaz se realmente abolisse a fanfarronice dos quartos temáticos, que atrapalham a proposta da casa-enganadora ao denunciar a estranheza de estarem eles na prisão dourada/estúdio de televisão.

Diferente é a casa britânica, que torna possível e real a natureza científico-midiática que gerou o programa, mesmo tendo essa sua natureza sido transformada em espetacular desde muito cedo.  A casa britânica é sempre diferente da anterior, sendo mudada de ano em ano em busca de efeitos de percepção espaciais diferentes.  Tal política desestabiliza os jogadores, e os fazem lembrar o tempo inteiro de que o que é vida é também um jogo, e de que o natural deles aparecerá POR CAUSA do espaço diagonal e não APESAR do espaço.  Por exemplo, houve uma casa em que o equipamento foi todo trocado de áreas (forno no quarto, geladeira no quintal, banheira na sala, máquina de lavar na despensa).  Houve uma casa completamente transparente por dentro, onde de todos os lugares se via, mas não se escutava, o que os outros estavam fazendo, elevando a paranóia a niveis impensados.  Houve uma casa invertida, onde o fora e o dentro mudaram de funções.  Enfim, foram até hoje doze casas muito diferentes, que geraram resultados muito diferentes em termos de territórios e sub-agrupamentos.

Há também um terceiro modelo de casa, bem comum na Europa continental e nos Estados Unidos.  Esse tipo de casa é a mega-compartimentada,onde há portas, salas, escritórios, jardins internos, muros e micro-lugares.  Esse modelo é parecido com o britânico no que tange estarmos em um cenário, mas se aproxima muito do modelo brasileiro de termos uma casa quase normal, pois nas casas não há a bizarrice temática tão comum do Reino Unido em termos estéticos e de práticas espaciais.  É importante notar que nos Estados Unidos houve algumas casas que puxavam para essa surrealidade vivida das casas britânicas, e estas casas americanas mais "doidas" produziram as temporadas mais polêmicas.

Portanto, um dos pontos bem importantes quando analisarmos esse Big Brother Brasil 12 será o espaço que será criado para o desenvolvimento do jogo.  E com certeza, haverá um outro post à época sobre isso.   Podem me cobrar. (Pedro Tapajós)

imagens:
http://tvnewsroom.co.uk/tv-talk/big-brother/big-brother-house-pictures-2011-11613/
http://worldofbigbrother.com/BB/USA/4/plan.shtml
http://revistanaweb.blogspot.com/2009/04/casa-atual-do-big-brother-brasil-sera.html

Big Brother: a importância do tabuleiro (parte 1)



Quando o Big Brother chegou à sua décima edição no Reino Unido, marcou-se a ocasião de duas maneiras distintas: por um lado, sensacionalizaram-se cenas e narrativas ( o racismo de Jade, a transexual Nadja, o vilão Nick Bateman, brigas e confusões, etc.).  Ao mesmo tempo, um outro grupo de editores bolou uma série de documentários com entrevistas e fragmentos que faziam a pergunta: qual o sentido do Big Brother na sociedade global contemporânea.  O programa, inquestionavelmente, é um corte em termos de narrativas televisíacas bem como sua apresentação, comercialização, discussão e impacto.  Colocou-se em xeque a posição da ficção como plena construtora de sentidos; e abriu-se um leque gigantesco de questões para o pensamento contemporâneo.
Nesses documentários podemos ver diversos exemplos de como o impacto do programa é fato!  Do maior pop star tailandês saindo do armário em uma cena lindíssima gerada pelo pouso de uma borboleta ao arrepiante momento em que Cida percebe (metafisicamente) que sua irmã havia falecido fora da casa, alegorias são construídas nesse aleatório que se faz.  Porém, o programa é mais belo (na opinião deste que à vocês escreve) quando mais perto de sua proposta geradora: colocar pessoas para conviverem dentro de uma condição-cenário que EM NADA lembre as suas vidas.  Em outras palavras, ver a vida nascer depois de ser forçada a existir.  Que parâmetros funcionam de que maneiras para aqueles específicos grupos de pessoas.  ( e aqui, o grande erro do Big Brother Brasil: querer o mesmo grupo over and over and over again, transformando pessoas em tipos ou tropos vazios). 
Os documentários mostram diversos exemplos:  uma casa que durante duas semanas só tinha mulheres, pessoas e suas mães convivendo e sendo eliminadas em duplas, uma estrela no meio de 14 pessoas comuns, ou uma pessoa comum no meio de 14 estrelas.  Além disso, há casas com ex-casais que se separaram de maneiras ruins; e casas com uma maioria de pessoas “alternativas” (um cego, uma anã, um albino, etc.); há casas com segredos, casas com tarefas secretas, missões secretas, jogos e competições. 
O interessante para esse missivista e apreciador do formato é o que os habitantes fazem com as condições nada ideais de calor, companhia, pressão e temperatura.  E, nesses dias menos inocentes e mais cínicos, onde a internet atua como uma TV da TV, nos divertimos também ao vermos o que ELES fazem com aquilo que os ELES E ELAS fizeram. (por pedro tapajós)