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Os três jogos em um reality show de co-habitação.

 RETICULADO TEÓRICO SOBRE REALITY SHOWS DE CO-HABITAÇÃO 

A imagem acima expressa visualmente 3 eixos de análise satisfatórios para articular sentidos ao refletir a respeito de reality shows de co-habitação.  O objeto de análise central é o morador e seus 4 atravessamentos, em 3 dimensões (a diagonal contém duas flechas auto-excludentes).

  • Eixo Vertical: assim denominado por ter como pólos a moradora e o público que a assiste, uma relação vertical, de superego, opressão e apoio.     
  • Eixo Horizontal: assim denominado por ser o olho no olho, pessoas no mesmo estado de desconhecimento do jogo todo, na mesma altura. 
  • Eixo Diagonal: é o ponto onde forças externas à pessoa que habita agem.  Há duas flechas, que, por definição são necessariamente excludentes uma da outra.
    • Diagonal-A: a diagonal de-dentro.  Produtores, editores, equipe e staff. Social media. apresentadores e repórteres. O poder imanente.
    • Diagonal-B: a diagonal de-fora. Fandoms, críticos, jornalismo, you-tubers, pessoas que se interessam, frenesi, sites de fofoca. O poder transcendental. 

Reality Shows de Habitação e a VERDADEIRA TELEVISÃO




Os reality shows são um formato televisivo recente (se comparados aos formatos já existentes historicamente) e são também alguns dos mais combatidos por uma suposta "intelligentsia" cultural que os consideram banais, basais, e apelativos.  Porém, se olharmos um pouco mais atentamente ao formato, seu espaço de existência e o tipo de ataque que sofre, podemos enxergar uma série de sentidos articulados pelos detratores que acabam por apontar para algo que nós aqui do Philosopop! defendemos com unhas e dentes. Os reality-shows do estilo: o Big Brother, A Fazenda, e O Trio (para citar os três mais relevantes no Brasil) são formatos NECESSARIA- E ESSENCIALMENTE televisíacos, e atacá-los é negar à televisão seu estatuto fundador.



Para tal argumentação ser feita,  temos que primeiro estabelecer algumas das características que FUNDARAM a televisão quando esta surgiu e, a partir dessas, analisar como o funcionamento desses reality shows CUMPREM a missão televisíaca muito mais fielmente que a maior parte dos programas atuais.

O Estatuto Fundador da televisão 

Para diferenciarmos a televisão do cinema ou teatro escolheremos uma estratégia positiva, afinal queremos saber o que é a televisão e não o que ela não é.  Olharemos para seu momento fundador, quando ela se coloca como um meio de comunicação, pois é lá que surge sua essência (ao contrário da convergência à singularidade atual, onde ela, já estabelecida, começa a se misturar com outros meios).



Vejamos: a televisão essencialmente transmite imagens, sons e textos de um pólo central para receptores espacialmente diversos. Temos uma central de emissão e milhares de receptores que consomem os produtos midiáticos que a eles chegam.  Já podemos sentir uma característica bem forte, afinal é a TV que chega às pessoas, sem que estas tenham que se deslocar para consumi-la.  As TV's permitem a navegação individual por entre programas que são transmitidos em dados horários por canais e redes. (Lembramos mais uma vez que estamos olhando para a TV quando esta surge, obviamente).  Antes do video cassette, tínhamos toda a programação ao vivo, como se o rádio e o teatro tivessem se  juntado ao cinema para chegar às casas das pessoas.  Esse "ao vivo" e essa "unidirecionalidade" da mensagem deram à TV esta dimensão tão ampla, global e autoritária.  O advento do video cassette e da reprodução técnica de imagens e sons passados, e sua posterior re-transmissão, causa o cisalhamento igual ao que a fotografia causou na pintura (Benjamin)



Da televisão em si, começamos a enxergar na sua gênese a criação de formatos próprios, como o telejornal (pois atualizava, ao vivo, notícias E as mostrava visualmente, indo além do rádio).  Tinhamos também a visualização dos anúncios (como um híbrido de revista e rádio) chegando às nossas casas.  Porém, a TV não se restringia a formatos importados de outros meios: novelas e séries são cinema, assim como programas de reportagens são documentários.  Os programas infantis são as matinées do cinema, com tias e tios pra cuidarem dos petizes.  Humor, no Brasil, é basicamente o "balança mas não cai" do rádio, all over again.

Mas então surge uma produção que abre uma dimensão não-esperada e completamente pura no sentido "semiose televisíaca": os reality-shows. Para entendermos bem a diferença dos Reality Shows para o resto da programação precisamos primeiro distigunir dois tipos de reality-shows.



Duas categorias de Reality Shows

  • os Não-sincrônicos: Troca de Família, No Limite, Top Chef, Rola ou Enrola, etc.  São programas que são gravados anteriormente e não têm script per se, mas não são realities comme il faut.  O produto já é editado, empacotado e resolvido antes de ir ao ar.  Não há nada que o diferencie de uma reportagem do Globo Repórter ou Globo Esporte. ou até, de uma obra de ficção.

  • os Sincrônicos: ou seja, reality shows de convivência, onde O JOGO ACONTECE DURANTE SUA TRANSMISSÃO.  Nesses realities, temos um misto de "ao vivo" interno e "edição" diária.  Os programas não irão ao ar DEPOIS, podendo ser editados de QQR jeito.  Eles são editados à medida que as estórias se desenrolam...estão escravizados por essa coisa chamada "realidade".  Não há como se re-filmar, ou re-fazer cenas.  O que surge é o que temos para hoje.  E por mais que possa haver manipulação nas PRÉ-condições de existência, aquilo que desenrola....bem, acontece.  Não se pode reviver um segundo, um minuto, uma hora.  O que se pode é correr atrás, tentar editar de maneiras manipuladoras aquilo que aconteceu, etc.  Mas, mesmo isso corre o risco de implodir, com o live streaming e a internet e seu olhar atento.


Realities de Habitação, ou sincrônicos, são, como visto, os mais televisíacos dos formatos na TV.  Eles existem nesse espaço contínuo e analógico do tempo vivido em 24 horas, fluxo contínuo.  Não é como a novela, que é ficção, escrita e encenada, editada e empacotada pra consumo posterior. Os realities são a vida, e podem ser espaço para o inesperado e o inusitado.  Quando a grade volta aos seus programas pré-preparados, a casa do Big Brother e a Fazenda e o Trio não param...Sua televida continua, suas imagens continuam sendo geradas.  E como a TV no início, ela não se priva de interromper, causar e pulsar.  Não é, como os seriados e programas de ficção,  um filme em etapas, não é um teatrinho pré-preparado com fim em vista. O reality show de habitação está na mesma esfera que o programa de variedades, o esporte, e o telejornal.  É algo IMINENTEMENTE televisivo E é por isso que esses reacionários anti-realities os odeiam tanto.  Tratam-se de realidades que não se submetem às ficções pré-paradas nas caixinhas tão bem determinadas na grade da vida.  A vida oferece personagens menos articulados que os reluzentes personagens de ficção.  Os reacionários só aceitam o documentário, onde eles detém o falo do poder da fala. Os realities tiram esse espaço do documentarista e colocam no lugar outros, uma máquina talvez.


O TRIO ( fragmento 0)

O intelectual Nicholas Johnson não é muito conhecido aqui por essas bandas, mas criou uma das frases mais corretas do kosmos a respeito da TV: "All television is educational television. The question is: what is it teaching?”  ("Toda televisão é educativa.  A pergunta é: o que ela está ensinando?" )

O Philosopop, munido dessa citação como compasso moral, resolveu fazer uma seqüência de posts dedicados ao mais novo sucesso da televisão mundial, que atende pelo ridiculamente óbvio minimalista nome de O Trio: reality.

O post de hoje começa (durrrrrrr) no início: 

O que nos ensina a abertura do programa?


A abertura do programa nos ensina que a Bahia é uma realidade paralela que mereceria estar no mais estranho episódio da primeira temporada de Além da Imaginação. (Se Além da Imaginação tivesse tomado peyote com capeta e guaraná, tivesse colocado um abadá e partido para pular Carnaval na pipoca atrás do Asa no Circuito Barra-Ondina) Nessa existência baiana, as pessoas moram em caminhões e suas fotos são mostradas do lado de fora.  As pessoas  têm três sexos.  Masculino, Feminino, e o frame do meio do videozinho de morph entre Luiz Caldas e Gilmelândia. Por falare em nomes bizarros, os nomes de lá se parecem muito com os nossos, mas podemos ver que não  estamos realmente na nossa dimensão pois, ao final da vinheta, presenciamos o nome Werles. .Na dimensão onde nós habitamos, essa combinação sonora (u-ér-les) jamais ocorreria em situação de fala em condições normais de pressão e temperatura.  Talvez a mãe dele tenha feito promessa, e o nome seja de alguma divindade local...  Por algum motivo, Ana Célia não porta um sobrenome como os demais... Talvez tenha sido promovida a algum status hierárquico superior e não precise mais da alcunha patriarcal...algo como uma Cher, uma Madonna, uma Gretchen.  Aliás, como seria uma versão de Glétssen nesse estranho mundo paralelo? É melhor nem cogitar, porque poderiamos acaber por invocar C'thulluh e, bem,  não teriamos mais realidade paralela, né? ... Então, continuando nosso primeiro encontro com esse modo peculiar de existir, notamos que são todos muito bonitos, até mesmo o híbrido, da sua maneira digamos ....erm.....quer dizer....umh.........única.  Podemos perceber também que todos se mexem muito. E são muito alegres. E sorriem muito. E são alegres. E são simpáticos  E são tão alegres que nem sentem vergonha de ficarem olhando para uma câmera fazendo essas dancinhas e movimentozinhos durante a gravação. As mulheres.....(e Leo Kret)............ fazem questão de mostrar que são donas de seus cabelos, otherwise eu terei que aventar a hipótese de que o que elas fazem é uma dança, o que me recuso a fazer!  Os rapazes...........(e Leo Kret)........... parecem ter uma tendência para apontar pra câmera. ...........Uma outra diferença gritante entre as dimensões é a propensão deles a enviar beijos a esmo.  Todos distribuem beijos. Muitos beijos. .................................................... Deve ser alguma forma peculiar de comunicação.


Essa seqüência de posts (CLARO QUE NÃO SERÁ SÓ ESSE) é totalmente culpa de @marcellyb no twitter...sigam-na!

Quando a Cida invade, ela invade sorrateiramente...

Somehow, "sorrateira" e Cida Moreira não parecem combinar. Mas, quando Cida INVADE, Cida INVADE!


São onze minutos de ouro, mas NADA BATE a INVASÃO de Cida no estúdio.  Imagina, você lá, de boa, curtindo seu trabalhinho, e .... CIDA INVADE .....

Uma reflexão a respeito do Big Brother e do Big Brother Celebrity

Big Brother e Big Brother Celebrity: Cristalizar a Formiga; Vagabundar o Cristal (por Pedro Tapajós)

latoyah jackson, mini-me, coolio, tina malone... gente como a gente?

O sistema midiático, de hiper-informação e mega-entretenimento, pode ser visto como uma máquina (no sentido Deleuziano).  Ou seja, como bem aponta o mestre-filósofo temos “fluxos que são cortados”.  Tudo que podemos observar  é capaz de ser visto com o exemplo desse pensamento: desde a novela, estória gigântor, que é cortada em pequenos pedaços chamados capítulos, posteriormente cortados em blocos, que são preenchidos por blocos de vídeo e som chamados anúncios.  Esses anúncios, também cada um em seu bloco-momento, fazem outra máquina funcionar: o fluxo monetário, com suas fluidezes e cortes.  É nesse  meio-ambiente rizomático, onde cada máquina é parte ou engrenagem de outra ainda mais complexa, que indivíduos são reificados (=transformados em objetos, coisificados) para nosso deleite e para o deleite das supermáquinas (empresas, meios de comunicação, detentores de discursos, etc.)

O Big Brother Brasil é uma das transições de fluxo entre o individuo-formiga, nós, os comuns do dia-a-dia e o indivíduo-cristalizado, aquele que deseja estar congelado em frames, ou  em vídeos aprisionado.  Há uma ilusão do capital de que a fama (ou infâmia) gera máquinas de fluxo monetário para aqueles que conseguem se projetar no meio ambiente da mídia e da hiper-comunicação.  A fama, construída cristalizada, é um chamariz para os que não a tem e a desejam.  A fama abre possibilidades de fluxos de caixa e de presenças-vip.  Um rio caudaloso se forma, mas rapidamente se vai, exceto para poucos como Sabrina Sato e Grazi Massafera, que pulam do fluxo z-lebridades para o fluxo  c-lebridades.

Porém há outro fluxo, no caminho oposto da correnteza.  Os Big Brothers Celebrity/VIP/Casa dos Artistas.  Nesse fluxo, a televisão e a onipresença do dispositivo câmera constroem simulações de realidade para descristalizar as imagens associadas a esses famosos fragmentos que freqüentam nossas casas e rádios.  Aqui, se tenta “humanizar “a presença de alguém que sabemos ser humano, mas que nunca passou de um fragmento de duração congelado, para nosso consumo.  É essa a razão pela qual os Celebrity Editions dos Big Brothers existem. Nós, desejantes formigas, precisamos puxar nossos cristais para nós, aquecendo-os.  Há também certa Schadenfreude: os famosos, os cristais perfeitos são tão vagabundos (no sentido de vagar... física, ética e praticamente) quanto nós.  E como deuses do Olimpo, são tão humanos como nós.

BBB: uma resposta pra Boni.



 Recentemente José Bonifácio de Oliveira, o ex-todo-poderoso da Rede Globo também conhecido como Boni, deu uma entrevista na qual, entre muitas pérolas (daquelas que só alguém com tanto tempo de meandros da telecomunicação poderia ter) largou um verdadeiro "peido alemão" pra quem gosta de Big Brother.  Disse, com amor não tanto paternal mas de quem emprestou o nome ao filho, que o Big Brother Brasil seria o melhor Big Brother do mundo pois o seu Boninho havia o feito tal.  Não entrarei nos méritos de poder hereditário nas Organizações Globo, pois essas são empresas privadas e fazem o que bem querem com seu staff em termos de criação e tais.  O que me incomoda é uma declaração tão ERRADA ganhar graus de verdade absoluta apenas por Boni tê-la proferido.  O Big Brother brasileiro, tomado por Júnior de maneira tão mimada e absolutista, não chega perto dos programas de outros países.  É óbvio que falamos aqui de qualidade televisíaca, narrativa, imagem, escolha e honestidade e não de audiência, pois é sabido e estudado que há uma correlação entre popularização/popularesquização e sensacionalismo na TV mundial.

O Loft Story francês é jogado entre intelectuais e universitários, e tem como tarefas debates e produções de vídeos e textos.  O Big Brother UK, também tornado mais popularesco com o passar dos anos, continua com sua espinha dorsal sendo os experimentos sociológicos e psicológicos por trás do jogo.  O americano, que não utiliza a audiência para votar em quem fica ou quem sai, é muito mais entretenimento do que reality show per se.  Também, como a maior parte do entretenimento estadunidadense, prefere mostrar a narrativa ao invés do desenvolvimento pessoal dos participantes.  O indiano é mais focado em sua própria identidade como país, já que por regra cada participante precisa vir de uma região diferente, e eles focam a maior parte das tarefas em elementos culturais a todos os indianos.  O Big Brother Africa procura trazer a união africana, com participantes de vários países sendo colocados como uma grande nação (leis, dinheiro próprio, etc.)  Na maior parte destes mencionados (e nos escandinavos e europeus não-latinos) a beleza é o último conceito analisado.

Vemos que temos quase tudo ao contrário no espetáculo BBB. Temos o mesmo molde básico todo ano (as casas quase idênticas todo ano), os mesmos tipos ( o negão, as periguetchens, as bibas, a doidinha, o esquisito, a negona...), os mesmos tropos (redençãO, combate às estereotipias, vitória do pobrinho massacrado, sexy mas não sexo, etc.).  E temos a casa mais POROSA do mundo inteiro, onde informação entra e sai.  Não há isolamento na casa de Boninho, pois há muito deixou de ser casa para tornar-se palco.  Por isso, Boni, orgulhe-se de seu trabalho como um todo, menos da sua decisão de deixar um dos seus trabalhos na mão de outro, que só deu trabalho.

(by pedro tapajós)

crédito da foto : abertura do big brother uk 8

Big Brother: a importância do tabuleiro (parte 2)

O Big Brother é essencialmente um jogo háptico, isto é, um jogo onde o posicionamento e a espacialização são dois grandes eixos significativos.  O jogador está em um espaço, percebendo-se sendo percebido por todos os lados, e joga, imaginando como ele ou ela será cartografado no imaginário pela edição e pelo clamor popular.   O estar na casa agrega o valor cotidiano (o viver cada dia) a um viver midiático -- "como estou me mostrando e como estou sendo percebido?"

Um elemento extremamente significativo é a montagem da casa enquanto cenário-máquina.  Que fluxos estaria essa casa-máquina a pré-significar e o que isso representa na montagem do jogo?  Iniciemos com a mais familiar a nós.  A casa brasileira é uma casa que em geral se mantem fixa.  É um simulacro de casa, pois tem uma sala, uma cozinha, quartos, banheiros, jardim, e piscina. Recentemente montou-se uma segunda casa, que no máximo da ousadia ficou encrustada dentro da primeira.  Com exceção de quartos temáticos, temos uma máquina de morar, que tenta enganar o jogador com uma falsa promessa de naturalidade.  Esse cenário convida o jogador a se sentir em casa e "ser quem ele é".   Seria mais eficaz se realmente abolisse a fanfarronice dos quartos temáticos, que atrapalham a proposta da casa-enganadora ao denunciar a estranheza de estarem eles na prisão dourada/estúdio de televisão.

Diferente é a casa britânica, que torna possível e real a natureza científico-midiática que gerou o programa, mesmo tendo essa sua natureza sido transformada em espetacular desde muito cedo.  A casa britânica é sempre diferente da anterior, sendo mudada de ano em ano em busca de efeitos de percepção espaciais diferentes.  Tal política desestabiliza os jogadores, e os fazem lembrar o tempo inteiro de que o que é vida é também um jogo, e de que o natural deles aparecerá POR CAUSA do espaço diagonal e não APESAR do espaço.  Por exemplo, houve uma casa em que o equipamento foi todo trocado de áreas (forno no quarto, geladeira no quintal, banheira na sala, máquina de lavar na despensa).  Houve uma casa completamente transparente por dentro, onde de todos os lugares se via, mas não se escutava, o que os outros estavam fazendo, elevando a paranóia a niveis impensados.  Houve uma casa invertida, onde o fora e o dentro mudaram de funções.  Enfim, foram até hoje doze casas muito diferentes, que geraram resultados muito diferentes em termos de territórios e sub-agrupamentos.

Há também um terceiro modelo de casa, bem comum na Europa continental e nos Estados Unidos.  Esse tipo de casa é a mega-compartimentada,onde há portas, salas, escritórios, jardins internos, muros e micro-lugares.  Esse modelo é parecido com o britânico no que tange estarmos em um cenário, mas se aproxima muito do modelo brasileiro de termos uma casa quase normal, pois nas casas não há a bizarrice temática tão comum do Reino Unido em termos estéticos e de práticas espaciais.  É importante notar que nos Estados Unidos houve algumas casas que puxavam para essa surrealidade vivida das casas britânicas, e estas casas americanas mais "doidas" produziram as temporadas mais polêmicas.

Portanto, um dos pontos bem importantes quando analisarmos esse Big Brother Brasil 12 será o espaço que será criado para o desenvolvimento do jogo.  E com certeza, haverá um outro post à época sobre isso.   Podem me cobrar. (Pedro Tapajós)

imagens:
http://tvnewsroom.co.uk/tv-talk/big-brother/big-brother-house-pictures-2011-11613/
http://worldofbigbrother.com/BB/USA/4/plan.shtml
http://revistanaweb.blogspot.com/2009/04/casa-atual-do-big-brother-brasil-sera.html

Big Brother: a importância do tabuleiro (parte 1)



Quando o Big Brother chegou à sua décima edição no Reino Unido, marcou-se a ocasião de duas maneiras distintas: por um lado, sensacionalizaram-se cenas e narrativas ( o racismo de Jade, a transexual Nadja, o vilão Nick Bateman, brigas e confusões, etc.).  Ao mesmo tempo, um outro grupo de editores bolou uma série de documentários com entrevistas e fragmentos que faziam a pergunta: qual o sentido do Big Brother na sociedade global contemporânea.  O programa, inquestionavelmente, é um corte em termos de narrativas televisíacas bem como sua apresentação, comercialização, discussão e impacto.  Colocou-se em xeque a posição da ficção como plena construtora de sentidos; e abriu-se um leque gigantesco de questões para o pensamento contemporâneo.
Nesses documentários podemos ver diversos exemplos de como o impacto do programa é fato!  Do maior pop star tailandês saindo do armário em uma cena lindíssima gerada pelo pouso de uma borboleta ao arrepiante momento em que Cida percebe (metafisicamente) que sua irmã havia falecido fora da casa, alegorias são construídas nesse aleatório que se faz.  Porém, o programa é mais belo (na opinião deste que à vocês escreve) quando mais perto de sua proposta geradora: colocar pessoas para conviverem dentro de uma condição-cenário que EM NADA lembre as suas vidas.  Em outras palavras, ver a vida nascer depois de ser forçada a existir.  Que parâmetros funcionam de que maneiras para aqueles específicos grupos de pessoas.  ( e aqui, o grande erro do Big Brother Brasil: querer o mesmo grupo over and over and over again, transformando pessoas em tipos ou tropos vazios). 
Os documentários mostram diversos exemplos:  uma casa que durante duas semanas só tinha mulheres, pessoas e suas mães convivendo e sendo eliminadas em duplas, uma estrela no meio de 14 pessoas comuns, ou uma pessoa comum no meio de 14 estrelas.  Além disso, há casas com ex-casais que se separaram de maneiras ruins; e casas com uma maioria de pessoas “alternativas” (um cego, uma anã, um albino, etc.); há casas com segredos, casas com tarefas secretas, missões secretas, jogos e competições. 
O interessante para esse missivista e apreciador do formato é o que os habitantes fazem com as condições nada ideais de calor, companhia, pressão e temperatura.  E, nesses dias menos inocentes e mais cínicos, onde a internet atua como uma TV da TV, nos divertimos também ao vermos o que ELES fazem com aquilo que os ELES E ELAS fizeram. (por pedro tapajós)

O coelho-pato de Wittgenstein assiste Big Brother Brasil (uma reverie)

O filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein fez da imagem acima (o duck-rabbit) uma das peças mais importantes no pensamento contemporâneo.  Usou dessa imagem para definir -- ou melhor, exemplificar -- o híper-ícone, e talvez seja o coelho-pato uma das poucas coisas que o filósofo trouxe da sua primeira fase para a sua segunda fase filosófica, onde quase totalmente nega a si mesmo e cria quase uma segunda filosofada (por falta de palavra melhor).  Essa figura é tão importante por que também causa um terremoto que vai reverberar fortemente na Fenomenologia.  Pois bem, porque é tão importante essa imagem?  Pelo simples fato dela não ser e ser ao mesmo tempo, um verdadeiro paradoxo visual.

Antes de Wittgenstein se debruçar sobre esse HIPERÍCONE, a teoria do pensamento enquanto figuras ganhava força.  Basicamente (e MUITO toscamente) podemos dizer que os pensadores desse lado diziam que as imagens eram transparentes, ou seja, eram aquilo que eram, e era assim que nossas mentes as percebiam.  Coelho-pato derruba isso.

O olho não é mais confiável, filosoficamente falando.  A mesma imagem é coelho, é pato.  A imagem não explica mais coisa alguma; ela precisa ser explicada. 

E é isso que Wittgenstein começa a sorrir quando nos quebra as pernas.  O que veremos na casa do Big Brother Brasil, além do que já escrevi a respeito de edição e espaços, é a incapacidade de podermos nos basear apenas no que veremos, já que SERES não são objetos, e portanto não podem ser coisa além de um conglomerado de interpretações.  E é daí que virá a diversão, como todo ano vem.   Podermos usar a mesma imagem, as mesmas frases, para serem as provas cabais no nosso mundo, que já queremos ver.