Doom Patrol S03E01: Possibility Patrol (anotações afetivas)


A produção acertou em cheio nas decisões que foi obrigada a tomar
por causa do fechamento das filmagens devido à COVID. E olhe que faltavam apenas dois dias de filmagem, mas eram cenas fundamentais, então o impacto na história foi tremenda.  Entretanto, as escolhas de narrativa foram acertadas pois a temporada 2 acabou com um baita gancho, e o retorno já começou no mesmo nível de intensidade com que a temporada anterior terminou.


Amo que as representações visuais realmente reforçam o fato que Dorothy "envelheceu".  Seus cabelos soltos e um rosto mais harmônico, além do próprio corpo em roupas mais teen compõem um personagem que também mudou ao longo da temporada passada e amadureceu.  Isso fica clara na escolha por resolver a situação com Candlemaker de maneira não violenta.  Desse ponto em diante veremos uma Dorothy muito mais segura de si, e muito mais capaz de viver nesse mundo, o verdadeiro corte da co-dependência com Niles.


Aliás, um dos argumentos mais fortes para provar que Doom Patrol é TV da melhor qualidade, tipo top elite mesmo, é ver o quanto as jornadas de cada um dos personagens os transformou, o que é sempre um sinal de boa ficção. Os modos e maneiras com que DP opera essa narrativa é que são excepcionais e absurdos. 


Doom Patrol consegue achar um equilíbro de emoções e afectos que é feito não no ''meio do caminho'' mas pela total quebrada de uma emoção por outra, num impacto de dar torcicolo na virada.  Exemplo:  quando temos o auge da tensão da resolução da liberação de jane e derrota da infecção e ela se salva...e caímos numa cena de puro afeto abraço amor e abraço de gruEEEPA temos uma piada bem sitcom risadas pois o 'susto' é bem-vindo.  O total dessas emoções é uma positiva exploração por afetos,  sem nunca serem extremos


Quantas imagens belas e instigantes nesse episódio.  Destaco as personalidades de Kay todas montando quebra-cabeças


Eu tenho uma leitura muito complicada dessa cena pois a mim me parece que todas as personalidades de Kay estavam em sincronia com a Kay na jaula, e só faltava a Jane, que é ''capturada'' pela infecção e colocada pra montar quebra-cabeças também.  Só que é nesse momento, quando a última personalidade se junta, que Kay sai da jaula e vai ''salvar'' Jane.  O que levou Miranda/infecção a produzir os comportamentos em cada personalidade que no final livraram Kay? Seria Kay se curando aos poucos?  E o que acontecerá com Jane quando Kay caso Kay venha a se "curar"?  Coloquei entre parênteses pq não acho que curar seja uma maneira certa de ver o que pode acontecer. Creio que Kay poderá ''colocar pra dormir'', ou integrar algumas das personalidades mais tóxicas ou auto-destrutivas, deixar algumas mais fortes pra se defender se precisar, deixar Jane como conselheira... Sabe-se lá. Com Doom Patrol é difícil prever, apesar do diálogo com o material original das HQ's. 



Os espíritos sexuais e a cabeça decapitada do chefe são ''personagens'' da época da Rachel Pollack escrevendo DP e eu acho bacana terem usado aspectos da época dela.  Talvez seja possível ter Alice-Wired-for-Sound como personagem (uma espírito do sexo que habita a casa e que coloca a cabeça do chefe amarrada no abdômen para locomove-lo). 


Linda de viver a cena de Larry indo pro espaço.  Acho que foi legal da história não tratar o ser de energia como um parasita, ou invasor, ou etc. antropocentrista.  O espírito está compartilhando um corpo e é um ser sentiente, com direitos, e não um prisioneiro. A cena do Matt Bomer surgindo do rosto queimado, as ataduras soltando e 'the air that I breathe' além de tudo foi linda esteticamente. 


A dupla Larry e Rita é a noção de amizade sincera.  Amo como eles se entendem e evitam teatros. eles são francos um com o outro e confiam um no outro... Isso é uma construção dos dois dentro dessa bagunça e teias de mentiras e segredos do Niles, e isso os serve muito bem.  É uma ótima contrapartida pra amizade também verdadeira etc. de Cliff e Jane, que tem uma camada de pai-filha (que ambos não foram em suas respectivas vidas.  Nem Cliff foi pai de uma filha, nem Jane foi filha de um pai.



Eu amo a presença do Cyborg nesse grupo.  Não posso dizer ''melhor do que o Mutano'' pq com esse time de criadores o Mutano também seria sensacional.  Mas Cyborg não carrega consigo a situação de ''filho, mesmo que adotivo'' de Rita e Mento, logo anula uma ponta que poderia dar uma novela.  Além do mais, essa é a MELHOR caracterização do Cyborg.  Muito além do que uma ''escada de normalidade'' dentro desse universo tão surreal, a história de Victor está muito próxima a dos quadrinhos da época do pérez.  É the quintessential Cyborg, e a série está lidando muito bem.  O pai de Victor também é um personagem que está mudando e transformando, e é legal ver o quanto essa história ainda renderá, com a situação da Roni.  



Cliff e Clara se dando bem por causa do fantasma de Niles mandando a fita é muito bom, mas o melhor é ver que Cliff não perdoou o chefe MESMO.  Tanto é que toda a história da cabeça do chefe agora é por Cliff ter se negado a falar para Dorothy que o corpo precisava ser cremado, e o enterro foi basicamente uma conservação do cadáver em terras geladas. KKKK Isso ainda vai render. 


Cliff com Parkinson? Será que isso pode levar a mais um ponto da época da Rachel Pollack (a consciencia de Cliff foi downloadada, já que seu cérebro estava apodrecendo...e aí acabaram pirateando e fazendo várias cópias online ahehaeh foi uma história muito doida)?




Rita me parece a personagem ainda a ter maiores mudanças, e tudo indica que isso acontecerá na temporada três, e muito. A história de Niles ter deixado aquela chave pra ela, e sua posterior falha ao responder ao chamado (inconsciente já que os braços não esticaram..e o painel acabou fechando) me mostram que muita coisa está por vir, e que Rita sairá muito mais forte do que entrou.  Rita é a personagem mais constante, e suas mudanças são as mais lentas.  Acho que há uma semiótica aí:  essa lentidão reflete de um certo jeito a sua corporalidade.  Até o momento ''she's a blob lady''.  A Rita Farr dos quadrinhos tinha poderes já adestrados, um misto de homem elástico e golias. Talvez sua jornada resulte nesse controle forte dos poderes.  




E temos a chegada da maravilhosa Michelle Rodriguez como Mme Rouge e nada mais Doom Patrol do que terminar um musical com uma bizarrice e depois ainda termos a maravilhosa cena de humor do xixi, que resulta numa morte trágica por queda?  Nessa cena, logo antes da ridícula cair, a Mme Rouge tem um glitch bem estranho. Fiquei intrigado. 

The Backrooms - As Salas Traseiras

    Em 14 de Maio de 2019, um usuário anônimo postou uma imagem com texto em um subreddit e nesse momento ativou no imaginário um espaço completamente surreal e onírico (ou seria "de pesadelo"?). Esse não-lugar fictício (aliás multi-fictício, já que se multiplicou em milhares de autores contribuindo para essa montagem de mundo. Esse não-lugar chama-se The Backrooms, que numa tradução rápida fica As Salas Traseiras. Vamos entender um pouco sobre o post original, seus desdobramentos, e ver que tipo de sentidos podemos encontrar na semiologia e na filosofia. Essa é uma primeira exploração, que pode desdobrar-se em várias posteriormente.

O post original 


Tradução:  Se você não for cuidadoso e você ''noclip''* pra fora da realidade nas áreas erradas, você acabará nas Salas Traseiras, onde não há nada a não ser o fedor do carpete velho e úmido, o desespero do mono-amarelo, o infindável barulho de fundo de lâmpadas fluorescentes em modo máximo de zumbido, e aproximadamente 600 milhões que milhas quadradas de salas vazias aleatoriamente segmentadas para te prender.
Deus te proteja se você escutar algo zanzando próximo, ao redor, porque com toda a certeza dos infernos essaa coisa te escutou. 

*noclip é um conceito tirado dos gráficos em um computador.  quando um gráfico em 3D tá com o ''clip'' ligado, os objetos que ''batem'' naquele são repelidos.  se o ''clip'' está desligado - noclip - os objetos atravessam o gráfico. em jogos, quando acontece no clip (ou glitch) muitas vezes os personagens caem em ''lugares estranhos''.  Isso é muito comum em Minecraft, onde o jogador é levado ou ''outro lado do jogo'', como se fossem os bastidores. 

Essa imagem-texto foi a semente para uma série de ''relatos de exploradores'', ficções construídas por pessoas que curtiram a ideia do post original e que decidiram dar sua contribuição.  Os Backrooms são o produto de muitas mentes refletindo suas psiquês - desejos e recalques - e colocando tudo em escrita, gerando uma mitologia com histórias e lendas.  Esse fenômeno chama-se creepypasta e tem muita relação com lendas urbanas em alguns aspectos  O mais interessante são os sentidos (re)ativados nessa obra tão difusa porém tão perto do imaginário de um grupo!  

Logo, é muito importante entendermos melhor como existem essas Salas Traseiras. 

Organização básica dos Backrooms. 

A imagem e texto do post original é o ponto de partida de duas interpretações bem distintas dos Backrooms.  Mas ambas concordam que as salas amarelas mofadas são o ponto de partida, e se chama nível 0.  Ambos grupos de exploradores concordam que os níveis 1, 2 e 3 existem (e da mesma forma) porém ... um grupo segue adiante e vai descendo a mais e mais níveis, cada um mais surreal (e quase sempre tão ou mais perigoso que o anterior).  O grupo ''original'' de exploradores coloca o nível 3 como o último, mas abre a possibilidade de haver 9 no total.  


Os níveis são todos compostos por espaços liminais (uma variante em fuga do não-lugar de Marc Augé): (imagens de) espaços de passagem abandonados ou vazios e que trazem uma sensação de vazio, nostalgia ou estranhamento.  Espaços liminais incluem piscinas de clube quando o clube está fechado, escola depois do horário, uma rua de madrugadíssima com névoa.  Espaços liminais trazem a presença humana, invariavelmente, sejam obras abandonadas, espaços construídos, etc.  Uma paisagem natural é o oposto lógico do espaço liminal.  

Ambas as leituras dos Backrooms garantem a existência de criaturas dos Backrooms, muitas das quais foram humanos que noclip nas Salas Traseiras e que não conseguiram fugir das criaturas ou foram transformadas pelo eterno espectro da loucura e da claustrofobia, que o espaço parece fisicamente induzir nos exploradores.  

O nível 1 é uma variante do nível 0 e pode ser alcançado após 4 dias de caminhada em qualquer direção.  O espaço ''se transforma'' em um galpão gigantesco, ainda úmido, corredores, as luzes têm um zunido maior, mais irritante, e piscam muito. E é muito quente.  Esse nível se espreme depois de 16 dias de exploração e começa a se transformar em corredores de manutenção quentíssimos e mal iluminados.  São muito claustrofóbicos.  É nesse ponto que as leituras de grupos diferentes começa, e um grupo segue explorando, indo ao nível três e além ( um enorme depósito de máquinas de comida e refrigerantes, gratuitas, eternamente estocadas, sem monstros, por exemplo no nível 6.1).

as máquinas que habitam o 6.1



O mapeamento segue, e a cada dia mais e mais níveis, e sub-níveis, e níveis negativos são ''descritos''. 

O que isso pode significar?

Não há como não perceber que as Salas Traseiras são espaços psíquicos, e grupais, construídos em conjunto, formando uma uni-mente.  Esses espaços narrativos grupais são um sintoma muito interessante da hipertecnologia que experienciamos no nosso cotidiano.  Temos uma obra conjunta que projeta desejos, medos, recalques, etc. não só individuais mas também como experiência de grupo, o acordado.   No grupo ''dissidente'' temos camadas e camadas de não-lugares que podemos identificar como estranhamente familiares para quem está inserido em espaços urbanos.  É uma nostalgia não do espaço mas do háptico ( = a experiência de se estar num espaço assim).  É como uma sala de cinema vazia que você volta pra buscar a chave do carro. 

Quero pesquisar mais sobre isso. 


Os três jogos em um reality show de co-habitação.

 RETICULADO TEÓRICO SOBRE REALITY SHOWS DE CO-HABITAÇÃO 

A imagem acima expressa visualmente 3 eixos de análise satisfatórios para articular sentidos ao refletir a respeito de reality shows de co-habitação.  O objeto de análise central é o morador e seus 4 atravessamentos, em 3 dimensões (a diagonal contém duas flechas auto-excludentes).

  • Eixo Vertical: assim denominado por ter como pólos a moradora e o público que a assiste, uma relação vertical, de superego, opressão e apoio.     
  • Eixo Horizontal: assim denominado por ser o olho no olho, pessoas no mesmo estado de desconhecimento do jogo todo, na mesma altura. 
  • Eixo Diagonal: é o ponto onde forças externas à pessoa que habita agem.  Há duas flechas, que, por definição são necessariamente excludentes uma da outra.
    • Diagonal-A: a diagonal de-dentro.  Produtores, editores, equipe e staff. Social media. apresentadores e repórteres. O poder imanente.
    • Diagonal-B: a diagonal de-fora. Fandoms, críticos, jornalismo, you-tubers, pessoas que se interessam, frenesi, sites de fofoca. O poder transcendental. 

O passado secreto do jornalista Augusto Xavier



Essa talentosa voz de trovão (e muito bom âncora) é um bom jornalista, e também um roqueiro competente (com bandas cover de u2 e Pink Floyd no histórico. Mas o que poucos sabem é que o belo mancebo também atuou...... numa.......novela........E QUE NOVELA !!

Assistam aqui o fiasco que foi o último capítulo de Brida, cortada antes de chegar à sua metade, e percebam em 3mins18 o nosso polivalente galã!




PinkleTank: a soma da idade dos membros da banda = 21

Pinkle é a menina e tem 7 anos de idade.
 Tank, o guitarrista tem 8. O baterista, 6.


Eles são punks~! A banda favorita do philosopop!



O passado secreto de Nicole Kidman (1983)


Bem, é complicado dizer "passado secreto" já que Nicole já era atriz como é hoje.  A razão de termos colocado Nicole na galeria dos passados secretos é o claríssimo fato de que Nicole era Bernadette Peters aos 40 anos ... em 1983, quando divulgava seu filme... BMX Bandits.  Nicole está cada vez mais jovem e testuda...e graças a Deus se livrou desse ninho de mafagafos que insistia habitar sobre sua cabeça...vejam, e confirmem.


1974: A Austrália descobre o Brim !



É um golpe de sorte feat. cagada quando descobrimos um vídeo do naipe desse que repartimos agora no Philosopop! Primeiro, é um original.  Não é um videozinho irônico ou vintage-homenagem.  This is the real thing.  Segundo, é um video da década de setenta, ao invés dos já comuns videos dos anos oitenta.  Terceiro, a qualidade do video é maravilhosa.  Quarto, é um documento histórico pois retrata o momento em que nossa irmã, Austrália, descobre o brim, aka Jeans.

Nosso apresentador está na casa da família Tufão, no Divino, ou em algum lugar muito parecido.  Lá, ele (que não está de brim) revela à sociedade Australiana que o brim (também conhecido como jeans) saiu da cisterna dos uniformes de prisioneiros e se tornou essencial em diversos novos produtos: de estojos escolares a sapatos cavalo-de-aço.  É emocionante! 

Em um segundo movimento, Don convida Issy (que basicamente sou o eu da época) para falar de todas as novas "fashions" jeans que a ilha-continente encontrará em 1975!  Coisa linda do philo-- !!! Vocês já sentem pelas captures, né? Olhem os modelitos e o chroma key!!! 

Enfim: divirtam-se com esses oito minutos em que a Austrália descobre o Brim.