Big Brother: a importância do tabuleiro (parte 1)



Quando o Big Brother chegou à sua décima edição no Reino Unido, marcou-se a ocasião de duas maneiras distintas: por um lado, sensacionalizaram-se cenas e narrativas ( o racismo de Jade, a transexual Nadja, o vilão Nick Bateman, brigas e confusões, etc.).  Ao mesmo tempo, um outro grupo de editores bolou uma série de documentários com entrevistas e fragmentos que faziam a pergunta: qual o sentido do Big Brother na sociedade global contemporânea.  O programa, inquestionavelmente, é um corte em termos de narrativas televisíacas bem como sua apresentação, comercialização, discussão e impacto.  Colocou-se em xeque a posição da ficção como plena construtora de sentidos; e abriu-se um leque gigantesco de questões para o pensamento contemporâneo.
Nesses documentários podemos ver diversos exemplos de como o impacto do programa é fato!  Do maior pop star tailandês saindo do armário em uma cena lindíssima gerada pelo pouso de uma borboleta ao arrepiante momento em que Cida percebe (metafisicamente) que sua irmã havia falecido fora da casa, alegorias são construídas nesse aleatório que se faz.  Porém, o programa é mais belo (na opinião deste que à vocês escreve) quando mais perto de sua proposta geradora: colocar pessoas para conviverem dentro de uma condição-cenário que EM NADA lembre as suas vidas.  Em outras palavras, ver a vida nascer depois de ser forçada a existir.  Que parâmetros funcionam de que maneiras para aqueles específicos grupos de pessoas.  ( e aqui, o grande erro do Big Brother Brasil: querer o mesmo grupo over and over and over again, transformando pessoas em tipos ou tropos vazios). 
Os documentários mostram diversos exemplos:  uma casa que durante duas semanas só tinha mulheres, pessoas e suas mães convivendo e sendo eliminadas em duplas, uma estrela no meio de 14 pessoas comuns, ou uma pessoa comum no meio de 14 estrelas.  Além disso, há casas com ex-casais que se separaram de maneiras ruins; e casas com uma maioria de pessoas “alternativas” (um cego, uma anã, um albino, etc.); há casas com segredos, casas com tarefas secretas, missões secretas, jogos e competições. 
O interessante para esse missivista e apreciador do formato é o que os habitantes fazem com as condições nada ideais de calor, companhia, pressão e temperatura.  E, nesses dias menos inocentes e mais cínicos, onde a internet atua como uma TV da TV, nos divertimos também ao vermos o que ELES fazem com aquilo que os ELES E ELAS fizeram. (por pedro tapajós)

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