Big Brother: a importância do tabuleiro (parte 2)

O Big Brother é essencialmente um jogo háptico, isto é, um jogo onde o posicionamento e a espacialização são dois grandes eixos significativos.  O jogador está em um espaço, percebendo-se sendo percebido por todos os lados, e joga, imaginando como ele ou ela será cartografado no imaginário pela edição e pelo clamor popular.   O estar na casa agrega o valor cotidiano (o viver cada dia) a um viver midiático -- "como estou me mostrando e como estou sendo percebido?"

Um elemento extremamente significativo é a montagem da casa enquanto cenário-máquina.  Que fluxos estaria essa casa-máquina a pré-significar e o que isso representa na montagem do jogo?  Iniciemos com a mais familiar a nós.  A casa brasileira é uma casa que em geral se mantem fixa.  É um simulacro de casa, pois tem uma sala, uma cozinha, quartos, banheiros, jardim, e piscina. Recentemente montou-se uma segunda casa, que no máximo da ousadia ficou encrustada dentro da primeira.  Com exceção de quartos temáticos, temos uma máquina de morar, que tenta enganar o jogador com uma falsa promessa de naturalidade.  Esse cenário convida o jogador a se sentir em casa e "ser quem ele é".   Seria mais eficaz se realmente abolisse a fanfarronice dos quartos temáticos, que atrapalham a proposta da casa-enganadora ao denunciar a estranheza de estarem eles na prisão dourada/estúdio de televisão.

Diferente é a casa britânica, que torna possível e real a natureza científico-midiática que gerou o programa, mesmo tendo essa sua natureza sido transformada em espetacular desde muito cedo.  A casa britânica é sempre diferente da anterior, sendo mudada de ano em ano em busca de efeitos de percepção espaciais diferentes.  Tal política desestabiliza os jogadores, e os fazem lembrar o tempo inteiro de que o que é vida é também um jogo, e de que o natural deles aparecerá POR CAUSA do espaço diagonal e não APESAR do espaço.  Por exemplo, houve uma casa em que o equipamento foi todo trocado de áreas (forno no quarto, geladeira no quintal, banheira na sala, máquina de lavar na despensa).  Houve uma casa completamente transparente por dentro, onde de todos os lugares se via, mas não se escutava, o que os outros estavam fazendo, elevando a paranóia a niveis impensados.  Houve uma casa invertida, onde o fora e o dentro mudaram de funções.  Enfim, foram até hoje doze casas muito diferentes, que geraram resultados muito diferentes em termos de territórios e sub-agrupamentos.

Há também um terceiro modelo de casa, bem comum na Europa continental e nos Estados Unidos.  Esse tipo de casa é a mega-compartimentada,onde há portas, salas, escritórios, jardins internos, muros e micro-lugares.  Esse modelo é parecido com o britânico no que tange estarmos em um cenário, mas se aproxima muito do modelo brasileiro de termos uma casa quase normal, pois nas casas não há a bizarrice temática tão comum do Reino Unido em termos estéticos e de práticas espaciais.  É importante notar que nos Estados Unidos houve algumas casas que puxavam para essa surrealidade vivida das casas britânicas, e estas casas americanas mais "doidas" produziram as temporadas mais polêmicas.

Portanto, um dos pontos bem importantes quando analisarmos esse Big Brother Brasil 12 será o espaço que será criado para o desenvolvimento do jogo.  E com certeza, haverá um outro post à época sobre isso.   Podem me cobrar. (Pedro Tapajós)

imagens:
http://tvnewsroom.co.uk/tv-talk/big-brother/big-brother-house-pictures-2011-11613/
http://worldofbigbrother.com/BB/USA/4/plan.shtml
http://revistanaweb.blogspot.com/2009/04/casa-atual-do-big-brother-brasil-sera.html

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