O coelho-pato de Wittgenstein assiste Big Brother Brasil (uma reverie)

O filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein fez da imagem acima (o duck-rabbit) uma das peças mais importantes no pensamento contemporâneo.  Usou dessa imagem para definir -- ou melhor, exemplificar -- o híper-ícone, e talvez seja o coelho-pato uma das poucas coisas que o filósofo trouxe da sua primeira fase para a sua segunda fase filosófica, onde quase totalmente nega a si mesmo e cria quase uma segunda filosofada (por falta de palavra melhor).  Essa figura é tão importante por que também causa um terremoto que vai reverberar fortemente na Fenomenologia.  Pois bem, porque é tão importante essa imagem?  Pelo simples fato dela não ser e ser ao mesmo tempo, um verdadeiro paradoxo visual.

Antes de Wittgenstein se debruçar sobre esse HIPERÍCONE, a teoria do pensamento enquanto figuras ganhava força.  Basicamente (e MUITO toscamente) podemos dizer que os pensadores desse lado diziam que as imagens eram transparentes, ou seja, eram aquilo que eram, e era assim que nossas mentes as percebiam.  Coelho-pato derruba isso.

O olho não é mais confiável, filosoficamente falando.  A mesma imagem é coelho, é pato.  A imagem não explica mais coisa alguma; ela precisa ser explicada. 

E é isso que Wittgenstein começa a sorrir quando nos quebra as pernas.  O que veremos na casa do Big Brother Brasil, além do que já escrevi a respeito de edição e espaços, é a incapacidade de podermos nos basear apenas no que veremos, já que SERES não são objetos, e portanto não podem ser coisa além de um conglomerado de interpretações.  E é daí que virá a diversão, como todo ano vem.   Podermos usar a mesma imagem, as mesmas frases, para serem as provas cabais no nosso mundo, que já queremos ver.

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