Uma reflexão a respeito do Big Brother e do Big Brother Celebrity

Big Brother e Big Brother Celebrity: Cristalizar a Formiga; Vagabundar o Cristal (por Pedro Tapajós)

latoyah jackson, mini-me, coolio, tina malone... gente como a gente?

O sistema midiático, de hiper-informação e mega-entretenimento, pode ser visto como uma máquina (no sentido Deleuziano).  Ou seja, como bem aponta o mestre-filósofo temos “fluxos que são cortados”.  Tudo que podemos observar  é capaz de ser visto com o exemplo desse pensamento: desde a novela, estória gigântor, que é cortada em pequenos pedaços chamados capítulos, posteriormente cortados em blocos, que são preenchidos por blocos de vídeo e som chamados anúncios.  Esses anúncios, também cada um em seu bloco-momento, fazem outra máquina funcionar: o fluxo monetário, com suas fluidezes e cortes.  É nesse  meio-ambiente rizomático, onde cada máquina é parte ou engrenagem de outra ainda mais complexa, que indivíduos são reificados (=transformados em objetos, coisificados) para nosso deleite e para o deleite das supermáquinas (empresas, meios de comunicação, detentores de discursos, etc.)

O Big Brother Brasil é uma das transições de fluxo entre o individuo-formiga, nós, os comuns do dia-a-dia e o indivíduo-cristalizado, aquele que deseja estar congelado em frames, ou  em vídeos aprisionado.  Há uma ilusão do capital de que a fama (ou infâmia) gera máquinas de fluxo monetário para aqueles que conseguem se projetar no meio ambiente da mídia e da hiper-comunicação.  A fama, construída cristalizada, é um chamariz para os que não a tem e a desejam.  A fama abre possibilidades de fluxos de caixa e de presenças-vip.  Um rio caudaloso se forma, mas rapidamente se vai, exceto para poucos como Sabrina Sato e Grazi Massafera, que pulam do fluxo z-lebridades para o fluxo  c-lebridades.

Porém há outro fluxo, no caminho oposto da correnteza.  Os Big Brothers Celebrity/VIP/Casa dos Artistas.  Nesse fluxo, a televisão e a onipresença do dispositivo câmera constroem simulações de realidade para descristalizar as imagens associadas a esses famosos fragmentos que freqüentam nossas casas e rádios.  Aqui, se tenta “humanizar “a presença de alguém que sabemos ser humano, mas que nunca passou de um fragmento de duração congelado, para nosso consumo.  É essa a razão pela qual os Celebrity Editions dos Big Brothers existem. Nós, desejantes formigas, precisamos puxar nossos cristais para nós, aquecendo-os.  Há também certa Schadenfreude: os famosos, os cristais perfeitos são tão vagabundos (no sentido de vagar... física, ética e praticamente) quanto nós.  E como deuses do Olimpo, são tão humanos como nós.

2 comments:

  1. o veículo/suporte(BBB)carece de genuína interatividade/afetividade fora de seu estrato fica nulo...

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  2. Acho que é por isso que não curto esses realities.

    Me amedronta a ideia de torná-los deuses, qdo eles são meramente construídos, por eles mesmos e/ou pela máquina.

    Acho que Deus é uma projeção, individual ou coletiva. E tudo o que amamos demais ou odiamos demais nos tira de nosso centro (razão).
    Catarse explica.

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